

COLATINA – Quem percorre os corredores dos supermercados ou utiliza o transporte público em Colatina já percebeu: o rosto humano está sendo substituído por telas e sensores. O que as empresas vendem como "modernização" e "agilidade" esconde, na verdade, uma crise estrutural profunda que reflete o atual cenário brasileiro: a substituição em massa de postos de trabalho e o derretimento do poder de compra do trabalhador.
A cena se repete nos grandes supermercados da cidade. Os caixas de autoatendimento (self-checkout) ganham espaço enquanto as filas nos caixas convencionais aumentam, empurrando o consumidor para a automação. Se por um lado a tecnologia avança, por outro, o emprego recua.
O fenômeno não é exclusivo do varejo. No transporte coletivo, a figura do cobrador de ônibus tornou-se uma lembrança do passado. Para tentar mitigar o sufocante impacto tributário e os custos operacionais, as empresas acumularam a função no motorista. O resultado? Profissionais sobrecarregados, atrasos nas viagens e mais pais de família fora do mercado de trabalho.
Há um erro comum de análise entre os trabalhadores e parte do setor produtivo: a ideia de que a falta de mão de obra se deve exclusivamente ao salário baixo. No entanto, o problema central é muito mais perverso: é o poder de compra, severamente corroído pelas políticas econômicas do governo Lula.
O abismo entre o Brasil e as nações desenvolvidas nunca foi tão evidente. Enquanto em países com economias sólidas e menos intervencionistas um cidadão consegue adquirir uma TV de 50 polegadas com apenas um dia de serviço, em Colatina, o trabalhador médio precisa empenhar dois meses inteiros de suor para obter o mesmo produto.
Essa "inflação invisível" — fruto de gastos governamentais desenfreados e carga tributária recorde — faz com que o aumento nominal do salário mínimo seja apenas uma ilusão contábil. O dinheiro entra na conta, mas não para na prateleira.
A aposta das empresas em tecnologia não é apenas um desejo de modernidade, mas uma estratégia de sobrevivência diante de um governo que pune quem gera emprego. Entre pagar encargos trabalhistas astronômicos e investir em uma máquina que não reclama de impostos, o empresário tem sido empurrado para a segunda opção.
Colatina, como polo regional, sente o impacto direto. A cidade, que sempre foi um motor econômico do Noroeste, assiste à desidratação de postos de trabalho tradicionais. Sem uma mudança de rumo na política econômica nacional que priorize a produtividade e o controle da inflação, o futuro do trabalhador colatinense parece estar restrito a observar as máquinas trabalharem, enquanto o seu poder de compra continua a evaporar.