

Não há como negar: quando a falta de criatividade bate à porta do Palácio Anchieta, a solução é olhar para o interior e copiar o que está dando certo. Em um movimento que soa como um verdadeiro plágio de estratégia administrativa, o governador Ricardo Ferraço anunciou um pacote de obras para a Região Metropolitana que repete, quase vírgula por vírgula, o conceito de engenharia viária lançado dias antes pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcellos.
No dia 1º de junho, a Prefeitura de Colatina saiu na frente e anunciou o início imediato das obras da terceira faixa na Ponte Florentino Avidos, uma resposta direta e ágil ao histórico gargalo que estrangula o trânsito local. Bastaram poucos dias para que o Governo do Estado, em busca de uma agenda positiva para alavancar a imagem de Ferraço — que assumiu o governo com a saída de Renato Casagrande e já foca na eleição —, corresse para anunciar a implantação de uma quinta faixa de rolamento na Segunda Ponte, ligando Cariacica e Vila Velha a Vitória.
Embora a "inspiração" de Ferraço na gestão de Renzo Vasconcellos seja evidente, a eficiência entre as duas esferas de governo é brutalmente diferente. Enquanto em Colatina o anúncio foi acompanhado de ação imediata — com as máquinas começando a trabalhar já no dia seguinte ao comunicado —, o Governo do Estado anunciou um investimento de R$ 15 milhões na Segunda Ponte com uma promessa de entrega arrastada: apenas para dezembro de 2026.
Ferraço tenta faturar politicamente em Cariacica e na Grande Vitória pegando carona na ideia de criar faixas adicionais em estruturas antigas para eliminar gargalos, mas condena o motorista da Região Metropolitana a amargar quase dois anos de espera por uma obra que o interior planejou e executou com muito mais dinamismo.
A engenharia de soluções rápidas em pontes exige um planejamento cirúrgico para não parar a cidade, e nisso Colatina também deu uma aula que o Estado tenta replicar. A criação da terceira faixa na Ponte Florentino Avidos foi projetada exatamente para extinguir a necessidade do caótico sistema "pare e siga". O plano colatinense foi estruturado em fases claras para minimizar o impacto na vida do cidadão:
Turnos Estratégicos: Execução de serviços em turnos diurno e noturno, concentrando as interdições mais pesadas na madrugada para evitar o colapso do tráfego.
Segurança de Pedestres e Ciclistas: Fechamento inicial apenas da passarela do lado direito (sentido Centro x São Silvano), remanejando o fluxo de pedestres e ciclistas para o lado esquerdo de forma organizada.
Garantia de Fluxo: Retirada de materiais com bloqueios pontuais, sem a necessidade de fechamento total da ponte neste primeiro momento.
Enquanto a Prefeitura de Colatina trabalha em ritmo acelerado para entregar melhorias reais gerando o menor transtorno possível à população, o governo de Ricardo Ferraço tenta inflar os seus discursos em Cariacica com ideias alheias. O eleitorado capixaba assiste a um espetáculo onde o Palácio Anchieta corre atrás do prejuízo, tentando adotar o "padrão Colatina" de mobilidade urbana para mascarar a lentidão crônica de suas próprias promessas estaduais.