

Os índices de violência sexual acenderam um sinal de alerta vermelho em Colatina. Apenas durante o mês de maio, o município registrou seis casos de estupro de vulnerável. Os dados, que expõem a fragilidade e a exposição de diferentes fatias da população, ganham contornos ainda mais graves quando analisados os locais onde os crimes ocorreram: a maioria esmagadora das agressões aconteceu dentro de ambientes que deveriam garantir proteção.
A estatística detalhada por faixa etária revela que a violência não escolhe idade, atingindo desde a primeira infância até cidadãos em idade madura:
0 a 12 anos: Dois casos envolveram crianças nesta faixa etária.
13 a 17 anos: Dois casos foram registrados contra adolescentes.
50 a 59 anos: Dois casos envolveram vítimas nesta faixa de idade, enquadradas legalmente como vulneráveis devido a condições específicas previstas em lei.
O mapeamento dos locais das ocorrências derruba o mito de que o perigo está majoritariamente nas ruas escuras ou em locais isolados da cidade. Dos seis casos registrados em maio, cinco aconteceram no interior de residências. Apenas uma ocorrência foi registrada em via pública.
Esse padrão repete uma tendência histórica observada por especialistas em segurança pública e assistentes sociais: no crime de estupro de vulnerável, o agressor, na maior parte das vezes, desfruta de proximidade, parentesco ou livre acesso ao ambiente familiar da vítima, utilizando-se da confiança para cometer os abusos longe dos olhos do público.
Com o avanço desses números, Colatina consolidou-se em uma incômoda e preocupante 8ª posição no ranking estadual de violência sexual no Espírito Santo. O município figura logo atrás de grandes centros urbanos da Grande Vitória e de polos regionais com densidade demográfica consideravelmente maior.
O topo do ranking da violência sexual no estado é liderado por:
Serra
Vila Velha
Cariacica
Vitória
Aracruz
Cachoeiro de Itapemirim
Linhares
Colatina
Estar na oitava posição de um ranking tão alarmante exige mais do que lamentações das autoridades; demanda uma fiscalização rigorosa das redes de proteção locais, o fortalecimento das delegacias especializadas e campanhas contínuas de denúncia. Em uma cidade que recentemente debateu o cercamento de escolas e transporte escolar por câmeras, os números de maio provam que o verdadeiro desafio da segurança muitas vezes se esconde atrás das portas trancadas de casa.