

VITÓRIA – O cenário sucessório para o Palácio Anchieta em 2026 subiu de temperatura após uma decisão estratégica do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES). A Corte indeferiu o pedido de suspensão da pesquisa realizada pelo Instituto Veritá, mantendo válida a divulgação dos dados que apontam o atual prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, como líder isolado na corrida ao governo estadual.
O levantamento, registrado sob o número ES-06000/2026, caiu como uma bomba nos bastidores do grupo político liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB) e pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Segundo o instituto, Pazolini desponta com mais de 38% das intenções de voto, enquanto Ferraço, mesmo com a visibilidade da máquina estadual e o apoio da base governista, amarga 28%.
Incomodado com a performance do vice-governador, o MDB — partido de Ricardo Ferraço — ingressou com uma representação tentando barrar a publicidade dos números, questionando a metodologia do Instituto Veritá. No entanto, em análise preliminar, a Justiça Eleitoral entendeu que não há elementos suficientes para suspender a divulgação neste momento.
Embora o mérito da ação ainda vá ser julgado pelo pleno, a manutenção da validade da pesquisa é vista como uma vitória política para o campo da direita e um duro golpe na estratégia da "esquerda capixaba" e dos aliados de Casagrande, que agora passam a questionar publicamente os institutos de levantamento de dados.
Para analistas políticos, os "míseros" 28% de Ricardo Ferraço — conforme descrito por interlocutores da oposição — acendem um sinal de alerta vermelho no Palácio Anchieta. A dificuldade de Ferraço em decolar, mesmo ocupando o cargo de vice-governador e tendo o controle de secretarias estratégicas, contrasta com a resiliência de Lorenzo Pazolini.
Pazolini, que consolidou sua força política na capital, parece ter rompido as fronteiras de Vitória e já ecoa sua liderança pelo interior do estado. A movimentação do grupo governista em atacar a pesquisa é interpretada por opositores como um gesto de insegurança diante de um cenário que desenha a possibilidade real de alternância de poder no estado.
A decisão do TRE-ES de manter a pesquisa no ar obriga o grupo de Casagrande a recalcular a rota. Se por um lado a base governista tenta deslegitimar os números, por outro, o eleitorado começa a observar um Pazolini que, antes mesmo do período oficial de campanha, já impõe uma vantagem de dois dígitos sobre o candidato da situação.
O julgamento definitivo do mérito pelo TRE-ES será o próximo capítulo desta guerra de números, mas, por ora, a fotografia do momento favorece o atual prefeito da capital no tabuleiro de 2026.