

VITÓRIA – Os bastidores da política capixaba entraram em estado de ebulição. As recentes agendas de Paulo Hartung (PSD), marcadas por caminhadas e reuniões estratégicas em diversas cidades do Espírito Santo, acenderam um alerta nos grupos políticos rivais e dentro de sua própria legenda. Fontes anônimas ligadas à cúpula partidária indicam que o ex-governador não está apenas "passeando": ele estaria pavimentando o caminho para uma candidatura ao Senado em 2026.
Hartung conta com o aval de peso de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, o que lhe confere uma vantagem institucional considerável. No entanto, o tabuleiro apresenta uma peça de alta popularidade que pode gerar um impasse interno: Sérgio Meneguelli.
Ao se filiar ao PSD, o ex-prefeito de Colatina e atual deputado estadual, Sérgio Meneguelli, recebeu uma "carta branca" de Kassab para disputar o cargo que desejasse. Com a bênção do presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcellos, Meneguelli nunca escondeu que seu grande alvo é o Senado Federal.
Contudo, a intensa movimentação de Artung levanta a dúvida: o partido não terá espaço para dois nomes de peso na disputa majoritária ao Senado, e Meneguelli seria "empurrado" para uma candidatura à Câmara Federal? “Ninguém faz essa movimentação e exposição em vão”, afirmou um interlocutor próximo às negociações, sugerindo que a candidatura de Artung ao Senado é vista por muitos como um fato consumado.
Embora pertençam a estilos de comunicação opostos e enfrentem críticas ferrenhas do campo ideológico da direita mais conservadora, Hartung e Meneguelli compartilham um DNA político raro: o compromisso com a saúde das contas públicas.
Paulo Hartung: É lembrado por analistas como uma espécie de "Paulo Guedes capixaba". Sua gestão foi marcada pela rigidez fiscal, chegando a barrar reajustes salariais de servidores mesmo sob a pressão de greves incostitucionais. Para Hartung, a solvência do Estado sempre esteve acima das pressões corporativistas.
Sérgio Meneguelli: Traduz a austeridade em simbolismos práticos. O deputado recusa o uso de carro oficial da Assembleia Legislativa e evita utilizar recursos da cota parlamentar, posicionando-se como um opositor ferrenho de "regalias e penduricalhos" que inflam as despesas do Poder Legislativo.
Este cenário de "gestão técnica e austera" do PSD destoa frontalmente do estilo adotado por figuras como Lucas Polese (PL). Polese, que hoje representa a ala mais fervorosa da direita ligada a pautas polarizadas, foca sua viabilização para deputado federal em discursos ideológicos. Diferente de Hartung e Meneguelli, a base de Polese não prioriza exemplos de austeridade fiscal técnica, mas sim o combate cultural e a mobilização digital.
O PSD agora se encontra em uma encruzilhada estratégica. Se decidir lançar Hartung ao Senado, terá que convencer Meneguelli de que Brasília (como deputado federal) é o melhor caminho. Caso contrário, o partido corre o risco de uma colisão interna entre a experiência de um "ex-governador gestor" e a popularidade de um "deputado austero". Uma coisa é certa: a caminhada de Hartung redesenhou o mapa eleitoral de 2026 antes mesmo do início oficial da corrida.